segunda-feira, 29 de março de 2010

Domingo em familia

Como quem não esquece o próprio endereço,
Sei que a vida que levo é leve e passageira,
Como o sorvete de repente derretendo;
À espera do calor do bafo podre de minha boca bêbada.
Como quem não esquece o caminho de casa sei que em algumas horas minha vida vai se espalhar e fazer uma porqueira na nossa mesa de almoçar;
Como quem segura o espirro e joga cuspe, farofa e catarro sobre os pratos já há tão surrados.
Como quem decora, feito quem respira, números e siglas que lhe dão um lugar entre os homens e os dias.
Sei que será necessário autopsiar minhas veias, como quem corta uma carne de sol no domingo santo da família.
Sei que nos finchos etílicos de ácido de meus nervos empanzinados...
O bisturi encontrará entre os escombros de assombração de alguns soltos versos
O endereço da reabilitação.

reflexões...

Como você, tenho me perguntado por que meus devaneios de luxúria e devassidão reinam à noite... Após dez anos de porre dessas reflexões acredito agora, que estes desejos não brotam das trevas; pelo contrário, eles são como estrelas: estão sempre ali, mas obscurecidos pelo clarão da luz do dia.

Conhecendo a verdade, ela me libertará??

Não consegui vencer a minha adolescência;
Minha coerência foi parar na reabilitação;
Minha lucidez nasceu da doença;
(E)Meu equilíbrio tem as deformações do que é normal...
Minha esperança e salvação: saber de tudo isso e confiar e prosseguir...?
“Você tem que estar preparado para se queimar em sua própria chama: Como se renovar sem primeiro se tornar cinzas?” ~Zaratustra~