sexta-feira, 9 de abril de 2010

Destino?

A noite corre em minhas veias, assim como as nuvens passam sob o luar.
... Foi numa noite dessas, seca do outono, fria como a mingua do luar, vazia na madrugada da cidade de concreto que me tornei quem eu sou...
...Já se vão alguns longos anos desta noite, exótica, linda, linear...
Fui chamado... Não pude conter o instinto, não pude ir contra a natureza humana, cai na armadilha da vida como se fosse um carneiro jogado aos lobos...
Não sou mais quem eu era, e agora só posso mostrar minha face sob a luz do luar...
Agora. Aqui. Exaurido de alguma emoção humana perambulo...
Pelas esquinas do tempo e da vida em busca de algum significado, de algum chamado; não posso ser o único, deve existir alguém tal como eu...
Será que isso é punição Divina? Será que Ele esqueceu de mim aqui no cantinho do Mundo? ... Talvez...
Talvez seja algum tipo de teste, talvez com essa privação de sentimentos eu encontre o paraíso...
Mas como pode ser?
Eu encontrei com Ele, duvidar disso seria a condenação Eterna.
...Estou farto...
Farto de tanto fardo...
Tento em vão negar-me à existência de meu Criador acreditando que meu solipsismo possa me colocar em um plano Superior, quase Divino...

Sina?

Está com medo de mim?
Está com raiva de mim...?
Renda-se a mim...
Deixe meus líquidos de prazer te afogar, deixe meu vício te conduzir, deixe minha razão te cegar...
Entregue-se aos meus conhecimentos mundanos:
Algo tão bom não poderia fazer mal.
Não vai doer quando eu arrancar sua sanidade e dignidade!!!
Eu quero o que você é, quero que clame por mim a cada instante, quero a vida do teu corpo e da tua alma...
No final eu terei tudo que já me pertence, e me declinarei gentilmente para ver o último lampejo de vida em seus olhos...
E por isso você vai me agradecer, vai sorrir e aplaudir uma última vez.
Sob o manto matutino, adeus domingo!
No teu hálito etílico eu previ, tua sina primeira é segunda, dia primo da semana e último de tua cura.
De tua neura, escravizóide, factóide, insana dos trabalhadores de segunda!!
Hoje, embriagamo-nos precocemente, apesar dos destemperos do dia anterior.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Eu e a Cris.

Surge na tua boca rosa e escorre pelo pescoço marcado, pelos seios alerta, pela barriga clara e pelos pêlos negros desvia e segue...
Pelo íntimo seu, pelas coxas longas e brancas, pelos pés contraídos dos dedos pintados de preto se desprende e voa para minha boca, a viajem desta gota de saliva antecede teu gozo... e minha loucura.

Eu o vinho e a Cris.

Desejos de luxúria se embriagam sobre a pele, e a voz bêbada e rouca treme com prazer indomável, mesmo que se revele o mais devasso pecado, e geme!
E num banco de praça qualquer me pego declamando não versos, mas suspiros que nem a dor, nem os espinhos hão de abafar como outrora fizera estando lúcido, e que esse momento não fosse único, e a ressaca de amanhã não há apague de minha memória...!