Como quem não esquece o próprio endereço,
Sei que a vida que levo é leve e passageira,
Como o sorvete de repente derretendo;
À espera do calor do bafo podre de minha boca bêbada.
Como quem não esquece o caminho de casa sei que em algumas horas minha vida vai se espalhar e fazer uma porqueira na nossa mesa de almoçar;
Como quem segura o espirro e joga cuspe, farofa e catarro sobre os pratos já há tão surrados.
Como quem decora, feito quem respira, números e siglas que lhe dão um lugar entre os homens e os dias.
Sei que será necessário autopsiar minhas veias, como quem corta uma carne de sol no domingo santo da família.
Sei que nos finchos etílicos de ácido de meus nervos empanzinados...
O bisturi encontrará entre os escombros de assombração de alguns soltos versos
O endereço da reabilitação.
segunda-feira, 29 de março de 2010
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