A noite corre em minhas veias, assim como as nuvens passam sob o luar.
... Foi numa noite dessas, seca do outono, fria como a mingua do luar, vazia na madrugada da cidade de concreto que me tornei quem eu sou...
...Já se vão alguns longos anos desta noite, exótica, linda, linear...
Fui chamado... Não pude conter o instinto, não pude ir contra a natureza humana, cai na armadilha da vida como se fosse um carneiro jogado aos lobos...
Não sou mais quem eu era, e agora só posso mostrar minha face sob a luz do luar...
Agora. Aqui. Exaurido de alguma emoção humana perambulo...
Pelas esquinas do tempo e da vida em busca de algum significado, de algum chamado; não posso ser o único, deve existir alguém tal como eu...
Será que isso é punição Divina? Será que Ele esqueceu de mim aqui no cantinho do Mundo? ... Talvez...
Talvez seja algum tipo de teste, talvez com essa privação de sentimentos eu encontre o paraíso...
Mas como pode ser?
Eu encontrei com Ele, duvidar disso seria a condenação Eterna.
...Estou farto...
Farto de tanto fardo...
Tento em vão negar-me à existência de meu Criador acreditando que meu solipsismo possa me colocar em um plano Superior, quase Divino...